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FOSSE (ELE) UM CHICO, UM GIL, UM CAETANO...: investimento estilístico na construção da imagem do sujeito discursivo das canções de Belchior

AUTOR: Josely Teixeira Carlos (Josy)
INSTITUIÇÃO: Universidade de São Paulo - USP

RESUMO DO TRABALHO:

Nosso objetivo principal nesta tese é analisar a Música Popular Brasileira enquanto prática discursiva, tomando como base a perspectiva da Análise do Discurso orientada por Dominique Maingueneau. Os conceitos da AD que iremos utilizar são os relativos a investimento, posicionamento, gênero, cena enunciativa, ethos e código de linguagem – segundo Maingueneau (1997, 2001, 2002 e 2005) –, dialogismo, polifonia e heterogeneidades discursivas, de acordo com Bakhtin (2000 e 2004) e Authier-Revuz (1982, 1990 e 1995).

O discurso literomusical brasileiro é uma prática discursiva, pois resulta da prática de uma comunidade específica composta pelos autores, cantores, produtores de discos, consumidores e apreciadores da canção, produto dessa comunidade. Analisaremos na tese as canções do cantor e compositor cearense Belchior (sujeito dessa comunidade discursiva), trabalho esse iniciado em nossa pesquisa de mestrado (CARLOS, 2007), realizada na Universidade Federal do Ceará no âmbito do grupo Discurso, Cotidiano e Práticas Culturais1, na qual investigamos aquilo que classificamos de investimentos interdiscursivos.

O objetivo desse trabalho foi analisar de que maneira textos das práticas discursivas da literatura e literomusical entrecruzam-se nas canções de Belchior, isto é, como esses discursos “outros” são mostrados (ou escondidos) e ressignificados pelo compositor cearense no fio discursivo das suas canções, ou, em outras palavras, saber se os textos e discursos “alheios” presentes nas canções de Belchior têm o seu sentido captado ou subvertido. Ao mostrarmos que os discursos outros que emergem nas canções de Belchior manifestam-se por meio de diversas estratégias intertextuais e interdiscursivas, comprovamos que essa incorporação de vozes externas é feita de forma dialética e muitas vezes iconoclasta. Belchior dá tratamento crítico aos textos incorporados aos seus, ou seja, os enunciadores dos textos de suas canções assumem, por diversas vezes, uma postura de oposição diante dos textos e discursos com que dialogam.

Paralelo ao nosso mestrado, surgiu o interesse em investigar que imagens de enunciador e enunciatário (co-enunciador) são depreendidas por meio da interpretação das canções de Belchior2, considerando como interpretação as escolhas feitas para a execução e registro das canções (letras, melodias, material gráfico dos álbuns, modos de cantar, vestimentas e gestualidade). A partir desse trabalho, pretendemos agora em nossa tese de doutorado empreender uma extensão profunda daquela investigação.

De acordo com as canções de Belchior analisadas na dissertação, vimos que o compositor, além de usar trechos de músicas nacionais e internacionais, faz referência exaustiva a nomes de cantores, compositores ou grupos musicais, sendo recorrente o aparecimento de outros membros da comunidade discursiva literomusical brasileira e internacional, entre eles Roberto Carlos, Jorge Bem (hoje o Benjor), Raul Seixas, Rolling Stones e os Beatles. Além desses, os cancionistas com os quais o cearense mais dialoga são Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, o que se evidencia na referência nominal interdiscursiva de “Baihuno”, cujo trecho mais contundente é: Fosse eu um Chico, um Gil, um Caetano, e cantaria, todo ufano: “Os Anais da Guerra Civil”3. Aqui, a leitura das palavras irônicas da canção deixa clara a polêmica que o compositor Belchior pretende instaurar com outros locutores da canção popular brasileira: Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Não por acaso, os intérpretes apontados pelo cearense são considerados, tanto pelo público quanto pela crítica especializada, três dos mais representativos compositores da moderna música brasileira. Assim, Belchior, ao trazer esses três nomes, insere-se no mesmo percurso seguido por eles, seja por aproximação ou afastamento. A aproximação se dá porque Belchior, assim como os outros três, também é sujeito da prática discursiva literomusical brasileira, exercendo o mesmo papel de compositor e intérprete (de cancionista) que Chico e os baianos. Já o afastamento é forjado no interior do enunciado porque o locutor-enunciador, ao usar o verbo ser no pretérito imperfeito do subjuntivo (fosse), demarca de forma explícita esse distanciamento temporal (por isso o uso do pretérito) e a separação identitária existente entre o próprio Belchior e os outros letristas, que surgiram no cenário musical nacional anos antes. Ao usar o subjuntivo, modo da possibilidade (e não da certeza), da dúvida e da hipótese, o sujeito que enuncia quer dizer que não sendo aquelas pessoas, ele, que é um outro, posiciona-se de modo diverso. Essa “relação” com outros cancionistas ultrapassa o âmbito musical. Um exemplo disso pode ser dado pelo fato de Belchior, que tem às artes plásticas, proporcionalmente, a mesma dedicação que dá ao cancioneiro, ao desenvolver seus desenhos, imitar o gesto de outros compositores desenhistas, entre os quais Bob Dylan4, John Lennon, mais uma vez de Caetano Veloso, Dorival Caymmi e Raul Seixas.

O título provisório de nossa tese Fosse (ele) um Chico, um Gil, um Caetano..., que altera o uso do pronome de primeira para o de terceira pessoa, baseado no trecho da canção citada acima5 aponta para a idéia principal a ser defendida neste trabalho: a de que a construção da identidade do cancionista Belchior se dá pela afirmação/negação da identidade de outros cancionistas.

Como resultado de nossa pesquisa de dissertação, já sabemos que o uso de investimentos interdiscursivos pelo autor cearense é um dos recursos utilizados para a construção da imagem de si. Logo, Belchior, ao relacionar-se de modo captativo e, principalmente, subversivo com textos, discursos e práticas de outros compositores (intérpretes e letristas), constrói uma identidade na comunidade discursiva literomusical brasileira, por meio do diálogo polêmico com estas exterioridades. Para dar continuidade ao nosso trabalho de dissertação, o objetivo de nossa tese, aproveitando o mesmo corpus coletado no mestrado, é investigar como outros elementos do discurso, entre os quais o gênero, a cenografia, os ethé e o código de linguagem articulam-se para a construção de um modo de dizer singular na música brasileira, ou seja, de um estilo próprio das canções de Belchior6. Nossa principal preocupação será saber que cancionistas têm seus estilos captados e quais são estilisticamente subvertidos por Belchior. A busca a essa questão será feita no sentido de verificar se é possível falar na criação de um estilo pela oposição de outro (seu anti-espelho), que teria o status daquilo que estamos chamando de anti-estilo.

Desse modo, para analisarmos os processos de constituição da imagem do sujeito discursivo nas canções de Belchior, iremos utilizar novamente o conceito de investimento, postulado por Maingueneau (2001), ao dizer que todo sujeito, ao se posicionar, investe em um gênero discursivo. Essa noção, na pesquisa de Costa (2001), foi aplicada aos outros componentes do dispositivo enunciativo, do qual fala Maingueneau, ethos e código de linguagem, e em nossa pesquisa de mestrado ampliamos ainda mais a categoria, tal como a entendem Maingueneau e Costa, e usamos a expressão investimentos interdiscursivos7, vistos como aqueles que abrangem as relações intertextuais, interdiscursivas e metadiscursivas, que se constituíram objeto daquela análise.

Além da categoria investimento, nos fundamentaremos na presente pesquisa em contribuições da Estilística Discursiva, pois uma outra noção de igual importância para a nossa tese é a de estilo, que será usada a partir de Bakhtin (2004) e Discini (2004). Pretendemos mobilizar na tese estas duas categorias por meio da postulação da noção investimento estilístico no discurso literomusical, ampliando mais uma vez a categoria investimento. Assim, segundo nossa tese, posicionar-se implicaria principalmente em um investimento estilístico (associado a um sujeito empírico, mas sobretudo discursivo), o qual abrangeria uma série de outros investimentos: além do genérico, do cenográfico, do ético e do lingüístico, há o investimento interdiscursivo, como mostramos em Carlos (2007). Portanto, além do investimento interdiscursivo, o uso de gêneros, cenografias, ethé e códigos de linguagem contribuem para a constituição de um estilo, que se funda na afirmação/negação a outros. Acreditamos que nosso trabalho se justifica principalmente por promover, além da aplicação prática, uma discussão teórica, mobilizando conceitos, criando novas categorias, deslocando fronteiras, ampliando os olhares, pois a linguagem é viva.

Pela representatividade do cancionista Belchior no cancioneiro brasileiro, pensamos ser desnecessário, neste momento, fazer um histórico de sua carreira e obra. Com relação à sua escolha como objeto de análise, cremos que ela se justifica devido à força expressiva de sua interpretação e a complexidade discursiva de suas canções (no que concerne tanto à dimensão verbal quanto melódica).

Agora, falemos sobre o tratamento dado, em outros estudos, ao nosso objeto de pesquisa (o gênero canção) e, particularmente, à música de Belchior, e como nossa tese poderá contribuir nesse percurso.

A tentativa de compreensão da Música Popular Brasileira enquanto discurso e, especialmente, os estudos aplicados a corpora do gênero canção, apesar de ainda escassos, vêm pouco a pouco chegando à universidade. Nesse sentido, destacamos os trabalhos de vanguarda do docente da USP, Luiz Tatit8, cujas contribuições serão de grande relevância para nossa tese, e todos os estudos que vêm sendo desenvolvidos, na Universidade Federal do Ceará, pelo grupo Discurso, Cotidiano e Práticas Culturais9, do qual fazemos parte.

Tatit (1996, p. 9), ao falar da canção, considera-a como uma imbricação necessária entre duas semioses, a letra e a melodia. Assim, o cancionista se assemelharia a um malabarista, pois tem a função de equilibrar a melodia no texto e o texto na melodia. Para esse autor, a “dicção” do cancionista (compositor, cantor, arranjador) está ligada a um modo de dizer, de cantar, de musicar, de gravar, mas, principalmente a uma maneira de compor. Com relação à metáfora do cancionista visto como um malabarista, para nós, esse “jogo de equilibrar” está ligado a uma complexidade mais ampla do que as coerções do gênero, pois o cancionista precisa mobilizar uma série de outras estratégias discursivas (ethos, cenografia etc.) no momento de compor uma canção.

Uma outra reflexão feita por Tatit (idem, p. 12) é a da ligação entre canto e fala. Ao relacionar canto e fala, o semioticista defende a idéia de que toda e qualquer canção popular tem sua origem na fala. Aqui, haveria uma tensão entre a voz que fala (interessada pelo que é dito) e a voz que canta (interessada pela maneira de dizer). Em nosso trabalho, essa inter-relação entre voz que fala e voz que canta será de singular importância, ao analisarmos a identidade discursiva do sujeito Belchior, ou seja, o modo pelo qual esse enunciador através de sua dicção se coloca/posiciona diante de si e de uma ou várias exterioridades, ou falando com outras palavras, a maneira pela qual esse sujeito institui um estilo.

Cremos que a importância de nosso estudo também se justifica no sentido de aprofundar as pesquisas que têm como objeto o gênero canção, especificamente a composição brasileira produzida por um cearense, o cantor e compositor Belchior. Objetivamos também contribuir com os estudos que relacionam a canção a essa prática de leitura de textos: a análise do discurso. Parafraseando Roman Jakobson em seu texto antológico Lingüística e comunicação, se a canção é uma espécie de linguagem, o lingüista, cuja área de investigação abrange qualquer tipo de linguagem, pode e deve incluir a canção em seu campo de estudos.

Neste momento, iremos nos deter nos estudos que analisam exclusivamente a produção do cantor, compositor e letrista Belchior. Além de todas as pesquisas que viemos desenvolvendo desde nosso curso de graduação, tanto na área de Semiótica como em Análise do Discurso10, encontramos um único trabalho sobre a obra do cearense. A pesquisa de Ventura (2003), desenvolvida na Universidade de São Paulo, enfoca as letras de Belchior sob a perspectiva da sociosemiótica, imprimindo a elas um valor crítico-social.

Além disso, encontramos pesquisas nas quais a obra de Belchior é comentada ao lado das de outros cancionistas cearenses. Podemos citar Pimentel (1994)11, cuja pesquisa pretende investigar uma possível identidade sociológica cearense na canção do “Pessoal do Ceará”12, definida por aspectos como a contemporaneidade,  a urbanidade, a relação amorosa do artista com o lugar de origem, o impulso em migrar, o resgate das tradições e a reatualização da memória popular.

Em sua tese, Costa (2001), que adota assim como nós o aporte teórico da Análise do Discurso, organiza um perfil de diversos posicionamentos da Música Popular Brasileira. Assim surgem os agrupamentos de caráter regional, como o “Pessoal do Ceará”; e a partir disso dedica a esses artistas cearenses um breve espaço, no qual identifica características comuns a essa produção. Assim como Costa, mas adotando a semiótica greimasina, um outro estudo, de nossa autoria (CARLOS, 2003b), identifica as características textuais e discursivas dos textos de Fagner, Ednardo e Belchior, os três artistas do grupo cearense que mais se destacaram nacionalmente.

Podemos citar também a pesquisa de mestrado de Mendes (2007), que adotando também a perspectiva de Costa e a nossa, investiga de que modo as topografias nordestinas construídas nas canções dos compositores cearenses Belchior, Ednardo e Fagner indicam a construção de uma identidade regional do posicionamento “Pessoal do Ceará”.

Destacamos ainda a pesquisa de Saraiva (2008), que fundamentado na Análise do Discurso e na Semiótica Greimasiana, analisa, adotando as configurações discursivas da canção e da imigração, a constituição de um sujeito epistemológico transdiscursivo da cearensidade, na produção literomusical dos compositores do “Pessoal do Ceará”.

Por último, registramos o trabalho de mestrado de Rogério (2006), o qual analisa a significação dada ao movimento musical “Pessoal do Ceará” pelos currículos das escolas públicas e estaduais do município de Fortaleza. Rogério tem como principal preocupação entender como os currículos, na década de oitenta, registraram a produção literomusical dos cancionistas do “Pessoal do Ceará”.

Na pesquisa de Ventura (2003), o autor aborda somente uma pequena quantidade de letras de Belchior, reduzindo o estudo da canção e do discurso literomusical brasileiro à materialidade verbal, análise essa que pretendemos ultrapassar em nossa tese com o olhar sobre as duas semioses que compõem a canção: letra e melodia.

Já na pesquisa de Pimentel (1994) e em Rogério (2006), a materialidade lingüística não é objeto de análise. Na primeira, são feitas reflexões sobre a música dos cearenses sob um ponto de vista sociológico, enquanto a segunda relaciona música e educação.

Os trabalhos de Costa (2001), Saraiva (2008), Mendes (2007) e Carlos (2007), apesar de adotarem o embasamento teórico-metodológico da Análise do Discurso de linha Francesa, não relacionam o modo de dizer (estilo) do cancionista Belchior às noções de posicionamento e investimento genérico, ético, lingüístico e cenográfico, em comparação com outros estilos de fazer canção. Por este motivo, cremos que nosso trabalho de tese se faz importante.

Podemos ver aqui que, apesar de haver alguns estudos (semióticos, sociológicos, lingüísticos, discursivos) que consideram como objeto a produção cearense, somente um é dedicado unicamente ao cancionista Belchior, isso sem contar as pesquisas de nossa autoria. Os outros estudos citados comentam suas canções em conjunto com as de outros artistas cearenses, principalmente com Fagner e Ednardo. No entanto, nenhum destes estudos se deteve na observação minuciosa das canções produzidas por Belchior a partir de uma análise exaustiva de um corpus. Sendo assim, o que pretendemos nesta tese é dar continuidade aquilo que começamos na dissertação, com a análise de quase a totalidade de canções de Belchior: realizar uma análise detalhada e minuciosa da produção literomusical de Belchior, materializada nas canções.

Somando-se a isso, nenhuma dessas pesquisas (com exceção de CARLOS, 2006) volta-se exclusivamente para a produção do compositor Belchior, interpretando-as a partir da análise do discurso. Assim, nosso projeto de pesquisa tem por finalidade preencher essa lacuna. De um modo geral, cremos que nossa pesquisa tem importância enquanto aplicação empírica de um conjunto de conceitos teóricos da Análise do Discurso a um corpus da Música Popular Brasileira, contribuindo, então, para validar o discurso literomusical brasileiro enquanto campo de pesquisa a ser abordado discursivamente. Acreditamos também que o trabalho com esse tipo de discurso tem mérito por pretender examinar um discurso tão entranhado na nossa cultura e tão significativo na constituição de nossa identidade enquanto sujeitos no mundo. A nossa intenção em fazer essa pesquisa legitima-se, ainda, no sentido de contribuir para a compreensão da obra desse artista que é ainda tão pouca explorada pelos analistas do discurso e amantes da palavra cantada. Nosso objetivo é contribuir para ocupar esse espaço por considerarmos a obra de Belchior de importância capital para a Música Popular Brasileira.

Ao final da tese, considerando o posicionamento que Belchior exerce dentro da Música Popular Brasileira, esperamos elaborar um perfil discursivo da produção literomusical desse artista. Nesse ponto, chamamos a atenção que não tencionamos aqui realizar a análise da obra de Belchior a partir de sua biografia. Estamos considerando esse compositor como uma instância enunciativa. Seguindo a noção de princípio de autoria (agrupamento do discurso), elaborada por Foucault (2002 e 2003), consideramos o autor não como um indivíduo histórico propriamente, mas principalmente como uma função enunciativa de unidade dos sentidos. Como afirma Orlandi (2002, p. 126), o conjunto de obras de um autor constitui um “lugar de significar”. Nosso objetivo maior é analisar de que modo o sujeito discursivo das canções de Belchior relaciona-se com a pluralidade (diversidade) de discursos que ele traz à tona e aos quais atribui uma exterioridade, ou seja, se o EU do discurso instaurado nas canções se aproxima ou se distancia dessa exterioridade.

Por fim, é importante deixar claro que a questão central em nosso trabalho não será simplesmente comparar os diversos estilos de fazer canção no âmbito do discurso literomusical, mas sim perceber quais e que tipos de sujeitos discursivos são materializados e emergem nesses textos cantados pela voz do sujeito empírico Belchior.

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 1 Inscrito no Diretório de Grupos do CNPq em 2002: http://lattes.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0089801F8I4ABX).

2 Resultados iniciais destas análises foram expostos em Encontros especializados na área de Análise do Discurso: ver Carlos (2006 e 2008).

3 Em nosso texto, usamos aspas para indicar os títulos de canções, e itálico para indicar tanto os títulos dos álbuns como os trechos de canções citados.

4 Do álbum Self Portrait, em 1970.

5 “Baihuno”, do CD homônimo do próprio compositor cearense, lançado em 1993.

6 Nesta nova pesquisa, também nos valeremos de estudos feitos, em trabalhos anteriores (CARLOS, 2007 e 2007b), acerca dos investimentos metadiscursivos nas canções de Belchior, pois pretendemos confrontar a metadiscursividade usada por esse cancionista com aquela empregada por outros compositores.

7 Na dissertação, além de um exercício de aplicação de categorias a um corpus específico, procuramos ampliar algumas categorias de análise a partir de algumas propostas por outros pesquisadores, por meio da elaboração de uma nova tipologia de análise. A partir das tipologias de análise de três autores (GENETTE, 1989; PIÉGAY-GROS, 1996 e COSTA, 2001) para as relações entre textos, entre discursos e entre o sujeito e seu discurso, propusemos uma reorganização dessas tipologias. Por isso, fez-se necessária a proposição da noção de investimentos interdiscursivos, para englobar toda a relação do sujeito discursivo das canções de Belchior com o seu exterior.

8 Conferir as obras de 1996, 1997, 1999 e 2002.

9 O grupo coordenado pelo prof. Dr. Nelson Barros da Costa, pesquisa, em uma perspectiva discursiva, as mais diversas vertentes da Música Popular Brasileira. Entre os trabalhos do grupo podemos citar: Bezerra (2005), Menezes (2005), Peixoto (2005), Lemos (2006), Pinho (2006) e Rocha (2006). Mais informações sobre essas pesquisas podem ser encontradas no artigo A pesquisa sobre a música popular brasileira em um perspectiva discursiva (COSTA, 2006, p. 119-157).

10 Ver Carlos (2003a, 2003b e 2006b). As duas primeiras analisam textos das canções de Belchior à luz da semiótica greimasiana e a última enfoca esses textos sob o ponto de vista da Análise do Discurso.

11 Essa dissertação, defendida na UFC em 1992, foi publicada em livro dois anos depois. Em 2006 saiu uma nova edição com a discografia dos artistas cearenses atualizada, para a qual contribuímos.

12 A denominação “Pessoal do Ceará” abarca toda a leva de cancionistas que saiu do Estado (e, por vezes, aqueles que ficaram) no princípio da década de 1970. Entre eles estão Ednardo, Fagner, Belchior, Rodger Rogério, Fausto Nilo, Cirino, Tetty, Ricardo Bezerra, Augusto Pontes e tantos outros.

 

 

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