Boa tarde - quinta, 17 de janeiro de 2019
   
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A construção identitária regional nas canções do “Pessoal do Ceará”.

AUTOR: Maria das Dores Nogueira Mendes
INSTITUIÇÃO: Universidade Federal do Ceará - UFC

RESUMO DO TRABALHO:

A dissertação de Mestrado A Construção Identitária Regional nas Canções do “Pessoal do Ceará”, defendida em 2007, por Maria das Dores Nogueira Mendes analisa um conjunto representativo de canções do período de 1970 dos artistas Belchior, Ednardo e Fagner a fim de verificar como determinadas marcas sinalizam uma pertinência geográfica que configura uma identidade regional cearense do grupo.
Buscando respostas para essa questão chegamos a algumas conclusões: as canções de Belchior, pouco investem no litoral nordestino, e tratam preferencialmente do interior; já na produção de Ednardo, ocorre o inverso, o investimento principal é nas topografias da capital do Ceará, principalmente nas litorâneas (praieras); com relação às canções de  Fagner, estas revelam um meio-termo entre topografias litorâneas e interioranas, com um peso maior para as últimas; o estado Ceará e a região Nordeste não são apresentados como lugares homogêneos, mas do ponto de vista de cada ambiente e da relação de identificação que cada artista mantém com este, antes e depois da emigração; as topografias, todas elas estão circunscritas a espacialidades maiores comuns, o estado Ceará e a região Nordeste; tais artistas não somente representam o Ceará/Nordeste mas participam de sua instituição, ora criando novas imagens, ora difundindo um discurso estabelecido “pela”, e “para” a região; o grupo conserva certas semelhanças não só no plano das canções, mas seus integrantes se aproximam também pela posição que ocupam no campo da música brasileira, ou seja, como representantes de uma área cultural do Nordeste e do país, elegendo-a como caminho para se fazerem presentes no cenário nacional.
Acreditamos, que este trabalho de pesquisa, depositário legítimo de informações de nossa cultura e arte, que analisa praticamente uma década da produção dos artistas Belchior, Ednardo e Fagner traz um olhar crítico, um alerta, aos discursos monológicos sobre o Ceará e o Nordeste. Daí, julgarmos que os resultados desta pesquisa não devam ficar circunscritos à discrição das estantes acadêmicas e que sua publicação dará continuidade e sustentabilidade à coleção que privilegia a pesquisa sobre a música popular produzida por autores cearenses e nordestinos, chamando a atenção para a importância  do movimento “Pessoal do Ceará” sem igual até hoje na história musical cearense/ nordestina/ brasileira.

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